Por Eduardo Pepe

 

“Mesmo com direção consistente, suspense dilui sua força por erros de roteiro”

 

 

Ademar (Juliano Cazarré) é sócio de uma empresa de segurança particular que presta serviços para
uma construtora. Quando seu sócio desaparece, Ademar começa uma investigação para o localizar e entender o que motivou seu sumiço. O filme de Júlio Taubkin e Pedro Arantes tem todos os
elementos centrais de um bom suspense: um protagonista determinado e atormentado, um mistério a se resolver, uma bela fotografia que trabalha tons sombrios, um desaparecimento sem explicação aparente e uma possível organização criminosa por trás de tudo isso.

Basicamente, o filme acompanha a incansável busca de Ademar pela verdade em meio a estranhos e assustadores sonhos premonitórios em que ele se vê, repetidas vezes, perdendo um dente e
presenciando a morte de alguém. Com um fundo social evidente, é admirável a construção estética
do filme, o sub-texto de sua trama e a boa atuação de Cazarré, no papel principal. Entretanto, apesar do argumento sólido e promissor e da direção consistente, o suspense se enfraquece por causa do desenrolar do seu roteiro.

Foto de Divulgação

Conforme a trama avança, a presença de pontas soltas, clichês, diálogos engessados e a falta de
desenvolvimento dos coadjuvantes vão se somando e enfraquecendo o longa. A facilidade do
protagonista em entrar em quartos de hotel sem ser anunciado é notável mais de uma vez. E isso é
apenas o começo dos pequenos deslizes que o filme comete.

O peso dramático fica todo em cima de Cazarré, porque todos os coadjuvantes mal aparecem ou são
estereótipos ambulantes, como a desnecessária presença de Paolla Oliveira como uma viúva rica
que é basicamente uma donzela atormentada e em perigo. Sua função narrativa, no fim das contas, é nenhuma. A presença da grande Renata Sorrah é pouco feliz por ser uma rápida participação de
pouco brilho. Sua personagem é citada e referenciada por diversas vezes ao longo do filme.
Naturalmente, sua aguardada aparição no final carrega uma expectativa, tanto pela atriz quanto pela personagem, mas, fim das contas, é fogo de palha. Ela pouco tem o que fazer, além de uma cena didática para explicar um pouco melhor o desfecho. A conclusão dúbia, por sua vez, é interessante, ainda que insira um flerte com o sobrenatural deslocado que é pouco aprofundado pelo filme como um todo. No fim das contas, o suspense nunca atinge a potência anunciada no seu inquietante prólogo.