Por Alysson Melo

 

Entra ano e sai ano a Rússia cada vez mais tem investido no cinema, e prova disso é o aumento no número de longas feitos no país, grandes exemplos tivemos: “Leviatã (2014), “O Estudante (2016)”, “Sem Amor (2017)”, “Verão (2018)” e “Uma Mulher Alta (2019)” e eis que agora a distribuidora A2 Filmes traz o longa “A Guerra de Ana (2018)” uma parceria entre os exibidores para criar e desenvolver o projeto “Cinema Virtual” que consiste em comprar ingressos a preços acessíveis para o público poder assistir direto de sua casa. O processo é simples após comprar o ingresso do filme escolhido, a pessoa terá até 72 horas para assistir ao filme e com direito a assistir em 3 telas diferentes, garantir a pipoca e divertir-se.

Anna’s War nome no mercado internacional, (O original: Voyna Anny) trata-se da história de Anna (Marta Kozlova), uma garota de apenas seis anos, que tem toda a sua família assassinada em uma execução maciça de judeus. Por um intervenção divina, ela sobrevive e é encontrada com vida toda suja de terra, sofre ao ver os pais mortos e após ser entregue as autoridades locais, passa a viver escondida em uma chaminé desativada de um comandante nazista. Recordando a vida que a guerra lhe tirou e com as instruções de seus pais e a ajuda de um amigo, Anna necessita sobreviver e manter sua sanidade e humanidade nas condições mais desumanas possíveis.

A direção fica por conta de Aleksey Fedorchenko que já tem uma boa experiência em dirigir curtas e documentários, já com mais de quinze anos de estrada, o cineasta que também é produtor e roteirista, sendo seu último longa “Where Has the Time Gone? (2017)”, aqui ele consegue com toda maestria retratar uma história que de fato existiu e teve a difícil tarefa em comandar não só as atuações como também o roteiro, também escrito por Ele. Retratar a guerra e o nazismo não é de fato algo simples e ainda mais dirigir uma atriz mirim que é a única personagem de fato na narrativa, e teve êxito em sua execução.

@Divulgação A2 Filmes

No campo de atuações temos poucos personagens, sendo a maioria figurantes e temos uma menina como protagonista a atriz Marta kozlova, fazendo sua estréia nas telonas como a guerreira Anna. Ela conseguiu trazer para a narrativa, toda verdade e dando realidade em cena, com olhar de desespero, aflição e medo características que a personagem teria que ter para o desenrolar da história. Mesmo sendo o seu primeiro trabalho em um longa metragem Marta mostra que tem potencial e ainda efetuou algo mais desafiador: dar vida a uma protagonista e conseguir dar conta do recado sendo praticamente a única personagem em cena.

Os roteiristas ficaram a cargo de Fedorchenko e Nataliya Meshchaninova em trabalho em conjunto, nos traz um enredo ao qual é aterrorizante imaginar a vida de tantos judeus perderem a vida em 1941 na ocupação alemã, diversos filmes já retrataram o tema judeus e nazismo. Aqui eles optaram por contar a vida de uma garota orfã que além de ter perdido sua família pelo nazismo, mostra ela tentando sobreviver em meio ao caos, onde a fome e a sede é o seu pior inimigo. A narrativa foca em contar essa história de luta e sobrevivência de lutar pela vida. Dando enfoque em objetos, close-ups, e coisas fora do seu conhecimento.

@Divulgação A2 Filmes

Dando destaque no filme , ele possui poucos diálogos, focado mais nas sensações, objetos, acontecimentos e na parte visual. Procurar se distrair em meio ao caos e a solidão. A sua verdadeira guerra além do medo do mundo lá fora é enfrentar ela mesma em um mundo tão cruel, difícil, solitário e perturbador. Os seus maiores desafios de sobreviver sem os seus parentes em um lugar ríspido cheio de violência e perigo. Uma guerra pela sobrevivência em cuidar de si mesma como gente grande e usar suas habilidades e conhecimentos para combater a fome e a sede. O trunfo do roteiro é justamente mostrar toda essa ideia de que ela precisa viver, mesmo que precise amadurecer em luta pela sobrevivência, sendo sua única cia um gatinho que se adentrou dentro da organização, viver lhe causa muita dor e sofrimento, mas sua esperança por dias melhores e ir para um lugar seguro onde possa viver dignamente.

A Guerra de Anna é um longa que lhe trará bastante esperança, em meio a tantas atribulações e dificuldades, pensar que a luta pela sobrevivência é maior do que qualquer coisa, mesmo quando tudo estiver dando errado, sua vontade de viver é o maior ensinamento visto aqui. Vida digna é o que todos necessitam, mas nem todos tem essa oportunidade e a sua história de vida definitivamente vai poder inspirar a tantas pessoas que perderam suas vidas em meio a tanta crueldade, humilhação e malstratos. É uma história de vida em nome da vontade de viver.