Por Alysson Melo

 

” Mostra uma delicada e tocante história sobre laços familiares”

 

The Etruscan Smile (O sorriso de Etrusco), é um longa metragem americano que chega ao Brasil com 7 meses de atraso, tendo sido lançado em novembro de 2019, ele chega fazendo parte do Projeto: “Cinema Virtual” que consiste em exibir virtualmente por valores acessíveis a filmes inéditos no país. O título original remete ao livro “O Sorriso Etrusco” do autor José Luis Sampedro, que foi lançado originalmente na Espanha em 1985. Aqui temos a adaptação desse livro, que se denomina como ficção. Não tive acesso ao livro, mas o mesmo pode ser encontrado no site da amazon. Sendo exibido recentemente, como “Antes de Partir”, título entrega um pouco sobre a história e faz desuso do bonito título original, não desmerecendo a escolha brasileira, mas existem filmes como o mesmo nome, o que pode confundir alguns usuários.

A trama mostra a vida de Rory MacNeil (Brian Cox) é um senhor escocês de cabeça dura que não dá a mínima para a opinião dos outros, passa seus dias a tomar banho pelado num lago perto de sua casa, e a beber  num bar e afogar suas mágoas do passado e brigar com o seu arqui-inimigo. Certo dia  ele passa mal e por recomendação médica local, pede para ele fazer exames na cidade grande, mesmo contrariado, ele abandona a ilha onde sempre viveu e vai se hospedar na casa do filho, partindo para a Califórnia, e reencontrar seu filho que pouco conviveu e não o vê há anos , possuindo uma relação difícil entre eles. Ele descobre que tem pouco tempo de vida, e ele ainda não sabe, mas sua possível salvação está em São Francisco. Mas por uma  cilada do destino a nova oportunidade de conviver com o seu filho e com o seu neto, pode não ser má idéia, mas também para acalmar o seu coração.

@Divulgação Elite Filmes

O longa é o primeiro trabalho da dupla de diretores Oded Binum e Mihal Brezis que juntos, já trabalharam na direção de alguns curtas-metragens. Aqui eles conseguiram realizar um bom trabalho, Ele dando o seu toque masculino e Ela o toque feminino que precisava dentro da narrativa. Eles souberam dosar o clichê de histórias do gênero, dando um toque mais realista nas cenas, sem se tornar piegas ou melancólico demais. O trabalho em conjunto apurou boa atuações de seu elenco, dando ao protagonismo o tom certo para o que o enredo pudesse fluir de maneira simples e natural, o que parte do principio de dirigir não é só mandar os atores fazerem o que eles querem e sim comandar os personagens a serem reais, seja na fala, no olhar, no toque, tirar dos atores todo o proveito que eles podem e isso a dupla de fato consegue e a história ganha um novo olhar.

O elenco de um filme, requer muita atenção seja nas escolhas dos personagens, seja na atuação e caracterização dos mesmos. Aqui temos o ator Brian Cox, ( que possui um vasto catálogo de filmes e séries em sua carreira), sendo o seu papel mais famoso o de “Coração Valente” 1995. Aqui ele dá vida ao personagem título Rory MacNeil. O ator se mostra bem a vontade em cena, e consegue extrair do papel todas as nuances e características de um senhor de idade orgulhoso e teimoso. Cox não só se encaixa perfeitamente no personagem como ele consegue viver ele intensamente, seja na sua maneira de olhar, de agir, seus trejeitos, a forma de andar e dar realidade de forma que  vivencia todos os acontecimentos para qual o protagonista passa, nos deixando uma ótima atuação. Ao seu lado temos o ator JJ Feild que faz o papel do filho em cena. Ele que tem uma boa quantidade de produções na carreira, tendo a de mais destaque o seu papel no filme “Capitão América: O Primeiro Vingador 2011, Ele possui bons momentos dentro da história, e sua atuação é satisfatória, mas na maioria das vezes e engolido pelo grande Brian. No elenco de apoio temos a Thora Birch que faz o papel da Emily , não possuindo tanto destaque em cena. E fechando o elenco principal temos a atriz Rosanna Arquette que faz o par romântico junto do protagonista e dá vida a personagem Cláudia. Os dois possuem uma ótima química em cena e adorei vê-los juntos, uma personagem madura, forte e decidida.

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O roteiro escrito pelo trio Michael McGowan, Michal Lali kagan e Sarah Bellwood, nos mostra uma situação de um senhor que possui uma relação ruim com o filho, um tema ao qual, já vimos em outras produções, mas aqui o seu diferencial está em contar essa narrativa de forma leve, engraçada, divertida e graciosa. O enredo tem uma pegada mais tranquila devido ao personagem principal nos render boas risadas, com o seu ponto de vista totalmente natural que faz do tema “personagem com doença terminal” não soar muito dramático, o longa mostra as dificuldades em um pai se reconectar com o filho, ao qual praticamente pouco conviveu, a distância que os separou como também o temperamento de Rory ao educar o seu progênito. Ele sente que falhou em sua criação e não é das pessoas mais carinhosas do mundo, mas possui um elo verdadeiro que mesmo o tempo e a distância não apagaram.

A narrativa ganha um novo olhar ao desenvolver a relação do Avô com o neto, onde se cria um lado e veia cômica do personagem ao cuidar de um bebê e tentar conhece-lo melhor, o novo membro da família. Ele vê no bebê Jamie, a oportunidade para consertar os erros do passado e dar afeto e carinho como se fosse o seu próprio filho. A relação inexistente entre pai e filho vai muito além do tempo, com muitos achismos e dramas internos. É muito interessante a abordagem feita aqui e podemos ver que o amor é mais forte do que qualquer orgulho, raiva e decepção. Essa reconexão é fundamental para o protagonista se perdoar e poder finalmente partir em paz. A culpa que ele carrega traz muita dor e sofrimentos e retratar isso com uma boa história é algo a ser considerado.

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A Fotografia é muito bonita, possui excelentes locações, como a de  Loch Eriboll, um lago marítimo de 16 km de comprimento na costa norte da Escócia, onde são passadas as primeiras imagens da história, com muitas cenas envolvendo natureza, mar, e  lagos.  Em contra partida temos a cidade grande representada por São Francisco, Califórnia que mostra o contraste entre uma cidade pequena e uma grande metrópole, com muitos prédios, barulho e vida norturna e também lugares como parques, lagos e mar. Boa parte são cenas externas que envolvem bastante luz, brilho e paleta de cores vivas.

A Obra nos traz esperança e sensações boas como: doçura, delicadeza e ternura, além de trazer um humor espontâneo e simples. “Antes de Partir” mostra um retrato de um pai em busca de viver intensamente os seus últimos dias ao lado do neto e de sua família. É lindo ver como o avô e neto constroem essa relação, que descontroi tudo o que viveu no passado e as lembranças que ficarão por toda a eternidade. O longa possui uma pitada de romance, que chega aos poucos de forma singela e sensível, eles estão ótimos em cena e nos faz torcer por eles, mesmo que a situação não seja das melhores. A história é cativante, te emociona e te faz vibrar , e mostra que o amor prevalece e que te faz ser mais forte, para vencer as dificuldades da vida. Um filme especial e que será lembrado.