POR EDUARDO PEPE 

 

“Animação da Pixar não surpreende, mas envolve com doçura e sensibilidade”

 

Não é de hoje que as animações da Pixar viraram símbolo de qualidade. Mas, a partir do momento que a produção acelerou suas produções, os resultados diminuíram um pouco. É bem verdade que a maioria das animações permanecem acima da média, mas aquele cálculo de que toda animação do estúdio é uma obra-prima, já não é mais verdade. Outra coisa que é sinônimo do estúdio são seus roteiros muito elaborados. Capazes de encantar as crianças, mas também trazer reflexões e tramas criativas capazes de impactar até o mais ranzinza dos adultos. E é nesse ponto que “Luca” destoa um pouco.

Foto: Divulgação

Dirigido pelo estreante Enrico Casarosa, “Luca” oferece uma animação bonita, mas simples. A trama, quase uma releitura contemporânea da “Pequena Sereia”, acompanha uma criatura marinha que sonha em conhecer o mundo da superfície humana. Quando ele encontra Alberto, que mostra para ele que sua espécie é capaz de sobreviver sem dificuldade na superfície terrestre, ele passa a viver com ele e parte para diversas aventuras para total desespero de sua família. O diretor italiano não tem dificuldade alguma em desenvolver esteticamente tanto o mundo marinho quanto a vila italiana, inspirada na infância do cineasta.

Foto: Divulgação

A trama é simples, linear e facilmente relacionável: queremos saber o que vai acontecer com o protagonista Luca na água e como vai se desenvolver suas relações com personagens. Não há algo tão poético quanto em “Viva – A Vida é uma Festa!”, complexo como em “Divertidamente” ou reflexivo como “Soul”. O roteiro não se utiliza de grandes subterfúgios e vai direto ao ponto: é uma história de aceitação, de resolver os pré-conceitos entre povos. As leituras de quais minorias seriam essas aí que crescem nas leituras de cada um. Devido a relação forte entre Luca e Alberto, algumas leituras apontam um subtexto de desenvolvimento do primeiro amor. Claro, que de maneira muito sutil e ingênua, afinal, se trata de crianças na trama.

Leia Mais: Estreias de Julho no Disney+

De qualquer maneira, “Luca” casa com a fórmula da Pixar sem fazer feito. Tem uma história envolvente, personagens carismáticos e um deslumbre visual. Deve funcionar, sobretudo, com crianças menores. Para os mais velhos, mesmo sem um roteiro mais encorpado, será perceptível a sensibilidade ao abordar a relação entre os personagens e a bela história de auto-aceitação e superação do pré-conceito e das adversidades.