Por Eduardo Pepe

 

 

Diretora da Mongólia faz um retrato ambiental e social relevante em meio a um drama
familiar.

 

Acompanhando uma família que vive em pequenas e isoladas pradarias da Mongólia; o pai luta para
permanecer na terra, a mãe acha melhor ir embora e os filhos pequenos vivem o dia a dia sem
entender muito bem o motivo da briga dos pais. Com o avanço da narrativa, fica claro que o
protagonismo é de Amra (Bat-Ireedui Batmunkh), o menino de 11 anos, que passa a seguir a luta do
pai contra as empresas mineradoras que exploram a sua região e querem expulsa-los de lá.

Os rumos narrativos, inicialmente, decepcionam um pouco ao tirar o protagonismo do pai de
família. Afinal, o personagem desperta imediata empatia do espectador e fica parecendo que o
protagonismo será dele. Entretanto, o jovem ator Bat-Ireedui Batmunkh surpreende dando conta do
personagem, inclusive, em sequências mais difíceis, como os embates com a personagem da mãe.

@Divulgação Veins of the World

De maneira delicada, a diretora Byambasuren Davaa desenvolve com competência a trama,
alterando a condução de forma hábil entre o drama familiar e a trama que aborda a exploração
desregulada de minérios no país A fotografia, belíssima, é um show à parte ao conseguir captar com
força as paisagens e construir narrativamente em cima disso. É constante o uso do contraste entre
cenas em ambientes abertos e fechados. Isso é perceptível não apenas na alternância entre planos
abertos e fechados, como também no uso de contraste entre cores. Com isso, “As Veias do Mundo”
cumpre sua função de emocionar com um drama familiar ao mesmo tempo que passa de maneira
direta sua mensagem socioambiental.