Por Alysson Melo

 

O mercado do cinema brasileiro está bastante em alta, cada vez mais vemos projetos sendo desenvolvidos ano após ano, e produções que tragam representatividade e diversidade estão cada vez mais constantes, o que é uma ótima notícia. A ideia desse filme segundo o diretor Rafael Gomes veio lá atrás exatos 10 anos, onde ele teve a ideia do projeto e escreveu o roteiro que almejava que se tornasse um longa-metragem um dia, naquela época não foi possível, mas pode montar uma peça de teatro, chamada “Música para cortar os pulsos”. Onde parte do princípio em contar a história de um triangulo amoroso. A peça foi um sucesso de público e crítica que percorreu todo o Brasil e agora está chegando as cidades brasileiras em forma de longa-metragem. O projeto  de nome “Música para Morrer de Amor” seria lançado nos cinemas brasileiros esse ano, distribuído pela Vitrine Filmes, mas devido a pandemia do Covid-19 isso não foi possível, entretanto graças ao impulsionamento dos drive-ins em todo o Brasil o longa poderá ser assistido por um bom público antes de estrear nas plataformas digitais.

Baseado na peça “Música para Cortar os Pulsos”, o filme é protagonizado por Mayara Costantino, Victor Mendes, Caio Horowicz e Ícaro Silva. A história mostra a vida desses quatro jovens: Isabela (Mayara Costantino) sofre uma desilusão amorosa, ao ter o seu coração partido por conta do término de namoro com o Gabriel (Ícaro Silva), o qual Ele resolveu mudar de vida e cidade em busca de melhores oportunidades de trabalho. Isabela pode contar com o apoio do seu melhor amigo Ricardo(Victor Mendes) que vive de conhecer homens na internet em busca de sexo e algo casual. Tudo muda quando Ricardo conhece Felipe(Caio Horowicz), seu novo colega de trabalho, onde eles dois encontram um sintonia instantânea um com o outro, até Felipe se envolver com a Isabela, amiga de Ricardo e ele se apaixonar pelo novo amigo.

@Divulgação Vitrine Filmes

A  direção fica por conta de Rafael Gomes que já trabalhou em diversos curtas-metragens e seu filme mais recente é o 45 dias sem você (2018), onde aqui é o seu segundo projeto como diretor. Rafael assim como em seu longa anterior gosta de trazer historias bem reais e intensidade em cena, captando e tirando dos seus atores, toda a verdade que ele quer passar e transmitir ao seu público. Sua direção é correta, certeira e minimalista, mostrando que possui muita sensibilidade para comandar seu elenco, de forma que fique o mais veramivel possível. Usando de sua experiências em teatro, televisão e no próprio cinema, para dar o tom certo, realidade e a vida desses personagens de forma única e especial.

No elenco principal temos a atriz Mayara Costantino  que dá vida a Isabela, ela que faz a sua segunda parceria com o diretor visto que ela participou de “45 Dias sem você”. Ela possui uma boa entrega em seus papéis e aqui não é diferente, Mayara traz toda uma delicadeza, doçura, sensibilidade ao mostrar para o público todo o drama e dilemas que a personagem está vivenciando, além de ser muito talentosa ela prova que realmente é capaz de interpretar, personagens tão diferentes e distintos, sendo um boa revelação. Mantendo também uma parceria com Rafael Gomes temos o seu interesse amoroso o ator Ícaro Silva, que dá vida ao personagem Gabriel. O ator esteve recentemente no longa anterior de Gomes e aqui ele está bem a vontade no papel, trazendo uma boa sintonia e química do casal e toda a melancolia e sentimentos.

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Falando do elenco principal ainda, temos o ator Victor Mendes que interpreta o Ricardo e Caio Horowicz que vive o Felipe , eles estão ótimos em seus papéis trazendo toda uma explosão e realidade, é maravilhoso ver como os personagens estão bem conectados e que trazem um brilho a produção. Victor mostra profundamente uma conexão com o triangulo amoroso. Já Caio mostra toda a sua versatilidade na produção, ele consegue mostrar um outro lado dele, que ainda não tínhamos visto antes. Desde o trabalho de campo as conectividades e essência do Felipe que o roteiro pedia. Fechando o elenco temos as participações de Denise Fraga como a mãe do Felipe, ela está incrível em cena, é uma personagem de muita identificação com o público que rouba todas as cenas aos quais ela aparece. Suely Franco que faz avó de Isabela, traz toda sua maturidade e sensatez sendo um boa adição a narrativa. No elenco de apoio as atrizes Tess Amorim(Hoje Eu quero voltar Sozinho) e Bella Camero(Confissões de Adolescente), vivem um romance e possui uma boa participação no enredo, é ótimo vê-las juntas mesmo com o pouco tempo de tela.

O roteiro escrito por Rafael Gomes é ágil, eficaz, sensível e delicado. O longa traz para as telonas uma nova versão do que foi mostrado na peça com uma nova proposta e novos personagens, mas mantendo a história original em torno do triangulo amoroso. A narrativa nos reforça como podemos lidar com todas as incerteza da vida e nos fazer refletir sobre quem somos e o que queremos ser de verdade. O grande trunfo do roteiro é trazer a música como um pilar dentro das histórias, praticamente como um personagem. Ela está lá o tempo todo, permeando entre os personagens e todos os seus temores, angustias e amores. Estando presente não só como música de fundo como também presencial , com diversas participações especiais de nossa música brasileira como: Clarice Falcão, Milton Nascimento, Mauricio Pereira, Fafá de Belém, Cesar Lacerda, Tim Bernardes e Maria Gadu.

@Divulgação Vitrine Filmes

Gomes opta por manter os elementos da peça original, mas traz novos questionamentos, mas o tema principal, assim como seu primeiro filme é falar sobre a juventude, suas dores, percalços da vida, e as incertezas amorosas. Aqui a protagonista Isabela precisa lidar com todas as dificuldades de seguir em frente após ter o seu coração quebrado, ao ver Gabriel mudar de cidade e vê-lo com outra mulher e ela morrer de amor pelo seu ex.  Ricardo luta por dias melhores após brigar com sua melhor amiga Isabela. Felipe e Ricardo tem sua amizade abalada. Ricardo tem um namorado, mas não o valoriza como deve e ainda o trai, e ver tudo desmoronar quando se apaixona pelo Felipe. Todos os personagens estão interligados e sofrem cada um a sua maneira, enfrentar um novo ciclo e na busca pela verdadeira felicidade .

A narrativa permeia por amores, dramas e desilusões amorosas em forma de letra e poesia. O roteiro nos leva a essa viagem em nome do amor e das canções que envolvem essas histórias com muito romantismo, sensibilidade e uma verdadeira explosão arrebatadora de sentimentos. Foi uma decisão super acertava alterar o título original da peça: “Música para cortar os Pulsos”, para “Música para morrer de Amor” visto que não soaria positivo e poderia ser um gatilho na vida real para o suicídio. O longa aborda com maestria a sexualidade, personagens LGBTQIA+, com muita diversidade e sendo um filme muito representativo não só por ter personagens homossexuais, mas por ter personagens negros e mostrar isso com muita naturalidade é uma das coisas mais lindas de se ver em produções brasileiras, por apostar na diversidade e em contar essas histórias.

Divulgação Vitrine Filmes

Música para Morrer de Amor: “Uma Fábula real do amor, suas músicas e as desilusões amorosas”. Fala sobre a amizade, amor verdadeiro, corações partidos e amadurecimento. Quando você ama, deixe a pessoa ir, deixe ela livre para voltar para você ou para criar asas e voar. Amar a si mesmo é o mais importante, ter amigos que te amam e ouvir canções que te transporte para uma universo paralelo, onde você pode estar na fossa por um coração quebrado e morrer de amor, mas não te fará cortar os pulsos. Porque viver um dia de cada vez te fará mais forte e assim seguir a vida adiante com dignidade e alcançar a tão estimada felicidade.