Por Eduardo Pepe

 

 

Diretor faz registro honesto de comunidade fetichista do Leather no Brasil, mas seu filme carece de tensão 

 

É possível ver esse documentário sem fazer ideia do que seja a comunidade Leather. Após assistir-lo, todo o básico sobre o fetiche e o estilo de vida estará entendido. Portanto, como curiosidade exótica, ele é bastante válido. Entretanto, como cinema, o filme do diretor Daniel Nolasco deixa um pouco a desejar. 

É puro fogo de palha; o documentário começa criativo, divertido e lúdico na forma de apresentar o assunto e os personagens. Tudo parece indicar que o tema será tratado de maneira interativa, com humor, senso estético e sem tabus. Entretanto, a impressão se esvai após seus 30 minutos iniciais. Até tem algumas cenas em que mostram o fetiche de dominação com o Leather, porém é apenas uma introdução que não tem muito desenvolvimento ou imersão narrativa.  

Foto de Divulgação

O documentário, claro, cumpre sua função como ferramenta informativa e te introduz ao universo e aos personagens centrais. Entretanto, ele acaba se tornando deveras convencional quando passa a focar exclusivamente nos candidatos ao concurso do novo Mr. Leather, que dá título ao filme. No final, tudo acaba soando um tanto repetitivo e enfadonho, o que é imperdoável para um filme tão curto, e, nem mesmo o concurso empolga muito, já que nenhum dos participantes é mostrado com entusiasmo ou força suficiente para que o público torça, rejeite ou se empolgue com algum deles.