Por Alysson Silva

 

O misticismo e arquitetura da capital do Brasil são o tema deste documentário que usa recursos de ficção-científica para contar a história da cidade e de seus moradores.

 

Quatro amigos que se conheceram em Chicago, e um sonho de retratar uma cidade mítica e mística, Brasília: assim começou o projeto de A MACHINE TO LIVE IN, um trabalho coletivo, que foi filmado ao longo de 8 anos, definido como um mergulho na história e no que há de mais mítico em Brasília, onde convivem o poder e o misticismo. A direção é de Yoni Goldstein e Meredith Zielke, enquanto Sebastian Alvarez assina a produção e o roteiro (em parceria com Goldstein), e Andrew Benz dirigiu a fotografia, filmou a maior parte do filme, operou drones e foi um dos produtores executivos.

Em A MACHINE TO LIVE IN estão em cenas lugares conhecidos de turistas e cidadãos de Brasília, como o Congresso Nacional e o Vale do Amanhecer, mas por um prisma inusitado e inesperado e lugares como a cúpula do Senado, onde depois de muita negociação, por exemplo, a equipe pode filmar e encontraram manuscritos nas lajes do prédio Congresso deixados por Candangos que trabalharam na construção da cidade.

Alvarez, produtor do longa, era o único deles que falava português, graças às suas várias viagens ao Brasil, e estudos na Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. “Durante esses anos fiz amizades com estudantes brasileiros de todo o país, e conheci algumas das idiossincrasias de várias regiões desse grande território. Como parte desse processo, conheci um pouco mais profundamente as lutas que os brasileiros têm enfrentado ao se empenharem para fortalecer sua democracia.”.

 

Sinopse

Construída ao longo de mil dias, a partir do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, Brasília é uma utopia “cosmofuturista” típica dos anos 60 que se torna realidade. Por meio de vários encontros, paisagens e textos (de escritores e escritoras como Clarice Lispector), A MACHINE TO LIVE IN é um documentário sobre a gênese e os futuros potenciais do modernismo e da transcendência espiritual.

Pela combinação de técnicas documentais e de instalações artísticas, o público é transportado para a Brasília da era espacial. Uma maravilha da arquitetura modernista, que comporta as altas hierarquias do poder nacional, místicos e místicas em busca de transcendência, e os descendentes daqueles que imigraram para a região para construir essa cidade artificial.

A MACHINE TO LIVE IN já foi exibido no True/False Film Festival (EUA), e Vision du Reel (Suíça), um dos Festivais de documentário mais importantes do mundo. No Brasil, o longa terá sua primeira sessão na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que acontece entre 22 de outubro e 4 de novembro.